Page 59born-digital extraction-ifrr IWAN THOMAS HALASZ ""Cõm a repercussão dos objeros voado- res não identificados que apareceram nos céus paulistas na noite de 19 de maio, sur- giu a necessidade óbvia de esclarecimentos: A primeira suspeita recaiu, muito ob- viamente, sobre artefatos espaciais. Os saté- lites e os ônibus espaciais que giram em órbitas inferiores a 400 km, não somente podèijj" ser observados nas telas de radar, mas « m b é m podem ser vistos a olho nu quaíjdó iluminados pelo sol contra um céu escuro: Assim sendo, suspeitou-se se tratar da reentrada na atmosfera, e subseqüente desintegração, de um corpo espacial, even- rualrhehte de um foguete portador que devi- do ao-arrasto das parriculas nas proximida- des'<fl Terra, perdeu a velocidade necessá- ria para contrabalançar a atração gravita- cion \r. r •-Acontece que o Goddard Space Flight Cen¥e*rV cujos imensos computadores sub- terrâneos acompanham o movimento de to- dos os corpos lançados no espaço, não di- vulgo» informação sobre nenhuma reentra- da, ffíjue significa que ou não houve reen- trada'ou foi encoberta pelo sigilo militar. ria ausência de pronunciamento da Goddard Space Flight Center, os radioama- dores.-avançados em São Paulo, agregados na B R A M S A T , secção brasileira da The Radio Amateur Satellite Corporation A M - SAT, compilaram os fatos que podiam re- sultar em uma explicação plausível não re- lacionada com artefatos espaciais lançados pelo homem. O resumo destes fatos é como segue: Durante o mês de maio de 1986 a média de fluxo solar em 2,8 Gigahenz, medido diariamente às 17 horas U T C em Ortawa-Canadá, era apenas de 72,4, cor- respondente a um número Zurich (conheci- do rambém como número de Wolf em ho- O s O v n i s de menagem ao suíço que o originou) de man- chas solares de 12. Embora este número seja baixo, devido ao fato de nos encontrarmos atualmente entre o Gelo 21 e Ciclo 22 de manchas solares (com periodiciáade entre 9 e 13 anos, com média de 11), o que importa, não é aparentemente o valor médio, mas a sua variação a curto prazo que provoca pertur- bações magnéticas, da mesma forma que a variação do fluxo de elétrons em um condu- tor varia o campo magnético em seu redor, e induz tensões elétricas em outros condu- tores. Já aconteceu no auge do Ciclo solar 21, em novembro de 1979, que a contagem de manchas solares caiu num período de 18 dias de 383 para 154. As perturbações mag- néticas e ionizações resultaram, também da- quela vez, em boatos sobre discos voadores e outros objetos voadores não identificados. Neste ano de 1986, o primeiro sinal de irregularidades de fluxo solar foi observado no dia 8 de fevereiro, quando perturbações na camada ionosférica E causaram efeitos aurora em quase todos os Estados Unidos, dando, simultaneamente, condições anor- mais de propagação em freqüências de V H F e U H F aos radioamadores experimenta- dores. As perturbações continuaram ao me- nos até o dia 12 de fevereiro, quando chega- ram a interromper a recepção, pela Nasa, dos sinais da sonda interplanetária Voya- ger-2 c, pela Amsat, do satélite amador OSCAR-10. Agora, em maio, a perturbação foi mais intensa, com conseqüências mais visí- veis e até danos físicos em ao menos um satélite. O que houve foi um aumento de três vezes no número de manchas solares num período de cinco dias. Conforme infor- mações fornecidas pelo National Bureau of Standards, dos Estados Unidos, transmiti- 1 9 de M a i o das em boletins através de suas estações WWV, W W V H , W W V B e W W V L , e grava- das em São Paulo, o número Zurich de manchas solares aumentou entre os dias 15 e 20 de maio p.p. de sete para 21 (este número não é contagem direta, mas é pro- porcional à soma do número de manchas com dez vezes o número de grupos de man- chas). No sábado, 17/05, danificou-se o com- putador a bordo do satélite amador OS- CAR-10, que desde então não mais obedece aos comandos enviados pelas estações ras- treadoras situadas na Nova Zelândia, no C a n a d á e na Alemanha Ocidental. Nos quase três anos que decorreram desde seu lançamento em 16 de junho de 1983, o satélite OSCAR-10 percorreu, até sua dani- ficação, exatamente 2.202 órbitas, e passou todas as vezes pelo seu perigeu localizado no cinturão Van Allen sem que tivesse sofri- do qualquer avaria em seu computador de bordo. Os cientistas norte-americanos têm como certo que, no dia 17 de maio, as bruscas variações do fluxo solar, através da ionização, tempestades magnéticas e espe- cialmente forte radiação cósmica no cintu- rão Van Allen fizeram ulnapasar o limite de resistência do computador a bordo do saté- lite. Na segunda-feira, 19/05, rompeu-se a camada ionizada que encobre a Terra em forma de esfera, fazendo com que os sinais de telemetria da estação orbital soviética' Salyut-7, nas freqüências de 19953 e 19954 Khz chegassem a São Paulo com intensida- de extremamente forte, devido à falta de atenuação pela camada ionizada e, ao mes- mo tempo, interromperam-se as comunica- ção terrenas entre radiaomadores nas ban- das de 10, 15 e 20 metros, a distâncias que dependem de reflexão pela camada ionosfé- rica. O que é ionização? Por definição, a ionização é o desdobramento de moléculas em dois ou mais átomos eletricamente car- regados, por exemplo, na ionosfera, pela colisão provocada por bombardeamento por altas energias. Quando os elétrons estão misturados com os íons positivos em núme- ros aproximadamente iguais entre si, eles formam um plasma altamente condutivo capaz de refletir até ondas decimétricas co- mo se fossem objetos metálicos. Estes volu- mes de plasma podem ser detectados nas telas dos radares. Quanto à possibilidade de deslocamen- to rápido da ionização da massa, posso dar um exemplo de experiência própria, ocorri- da durante o já citado auge solar 21, em V H F , na faixa de 50 M H z onde o fenômeno mais pode ser observado. Utilizando baixís- sima potência, falei como se fosse local, no dia 20 de novembro de 1980, às 0000 U T C com estação EL2FY de Monrovia, África, às 0005 U T C com a estação VS6BE, de Hongcong, às 0019 U T C com a estação LU9AEA da Argentina e às 0023 U T C com a estação C E 3 D Z do Chile, tudo isto em menos de 25 minutos. Na noite seguinte, às 2347 U T C com a L U 9 M A da Argentina, às 2358 U T C com a VP2VGR das Ilhas Lee- ward & Windward, no Caribe, à 0002 U T C com a PJ2DEW de Curaçao e às 0020 U T C com W H 6 A D A do Haway, tudo em menos de 35 minutos. Quando a ionização se des- locou, abriu-se a propagação para uma área e fechou-se para todas as outras. Simultaneamente com a reflexão de ondas radioelétricas, as massas ionizadas podem emitir luz pelo efeito conhecido co- mo efeito aurora, podendo ter dado aos pilotos, na noite clara de segunda-feira, 19/05, a impressão de objetos verdadeiros. Para terminar, alguns esclarecimentos sobre a Bramsat. Trata-se de uma agremia- ção avançada de radioamadores brasileiros, com sede em São Paulo, presidida pelo ra- dioamador PY2BJO Eng« Júnior Torres de Castro. Ela goza de elevado prestígio entre os cientistas ligados à Nasa, por ter presta- do relevantes serviços à comunidade espa- cial, como ficou evidente durante a visita, a São Paulo, do cientista da Kasa e ex- presidente da Amsat, Thomas A . Clark, radioamador W3IWI, que, além de ser PhD, é uma das maiores autoridades mundiais em radioastronomia. É interessante mencionar que a Bram- sat que procura manter-se junto à ponta da tecnologia espacial através de suas relações com a Nasa e com a Amsat, e que mantém uma estação terrena de baixo ruído a 30 Km de São Paulo, também proporciona, gratuitamente, assessoramento espacial à indústria nacional de receptores de satélites, tendo já colaborado com a Zirok, durante o <l»c»nvr>lvimento da antena parabólica e do J O R N A L : O E S T A D O - D É T S Ã O P A U I A O , - , 1 9 - J U K 3 6 •