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1969
C.I.C.O.A.N.I.
CAIXA POSTAL 1075
BELO HORIZONTE
- BRASIL -
Local da ocorrência: Duas Pontes, distrito de DIAMANTINA, MB.
Data da ocorrência: 19 de Agosto de 1962 e 20 de Agosto de 1962
Observadores: RIVALINO MAFRA DA SILVA e
RAIMUNDO ALELUIA MAFRA
[DIAGRAM: Floor plan of a dwelling with numbered positions]
[Room labels: Quarto (left room), Quarto (right room)]
(3) [stick figure drawing of two children sleeping]
(1) [figure crouching] (2) [figure crouching]
(4) [arrow pointing left with dashed line]
(5) X
(6) X
(7) [two oval objects with arrows indicating movement toward each other]
(1) e (2): Rivalino e Raimundo
ao pé do fogo (19/Ago/62)
(3): Dois filhos menores de
Rivalino, dormindo
(4): Trajetória da "sombra"
na cozinha
(5) e (6): Posições de Raimundo
e Rivalino, pouco antes
da desaparição deste.
(7): Posição dos objetos, pouco
antes de se unirem para
começar a girar
OBSERVAÇÃO: Casebre construído de adobe em terra batida, sobre um platôC.I.C.O.A.N.I.
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O CASO "DUAS PONTES"
Em Agosto de 1962 o relato de um menino pobre, analfabato
e tímido provocou enorme celeuma na cidade de Diamantina, repercutindo
em todo o Estado de Minas Gerais e além dos seus limites.
RAIMUNDO ALELUIA MAFRA, de 12 anos, órfão de mãe, auxiliava
seu pai RIVALINO MAFRA DA SILVA nas suas atividades de caçada e garim-
pagem, responsabilizando-se também pela assistência a dois de seus
quatro irmãos menores.
Situada em DUAS PONTES, distrito de DIAMANTINA, Estado de
Minas Gerais, a residência da família Mafra era um casebre completa-
mente isolado. Por dezenas de vezes o menino repetiu seu relato ao
Tenente Wilson Lisboa, Delegado de Polícia do município, ao Juiz de
Direito, aos médicos, sacerdotes, jornalistas e a um sem número de
pessoas que, apesar de refugarem a versão de Raimundo, ficaram impres-
sionadas com sua coerência e tranquila convicção.
Alegava que seu pai RIVALINO TINHA DESAPARECIDO ANTE SEUS
OLHOS, CERCADO POR UM REDEMOINHO DE POEIRA AMARELA LEVANTADA POR DOIS
PEQUENOS OBJETOS, POSTADOS À PORTA DO CASEBRE. E chorava mansamente,
convencido de que seu pai jamais voltaria.
Logo após a desaparição do pai, Raimundo procurou vestígios
seus na vizinhança e foi chamar o Sr. João Madalena de Miranda, fun-
cionário de uma fábrica distante. Chegando este amigo ao local da
desaparição, uma clareira de terra batida, notou que ele parecia ter
sido cuidadosamente varrido, numa área cujo raio media 5 metros.
As buscas, já sob a direção da Polícia de Diamantina, come-
çaram no mesmo dia e continuaram por muito tempo. Cães amestrados da
Polícia Militar chegaram de Belo Horizonte, mas não encontraram rastros
do garimpeiro. Os voos das aves de rapina eram acompanhados atentamente,
como possível indício para localização do corpo de Rivalino.
O Cônego José Ávila Garcia, vigário de Diamantina, apesar de
não acreditar na versão do menino, revelou que na semana antecedente
ao desaparecimento de Rivalino um funcionário do Departamento dos Cor-
reios e Telégrafos, sr. Antônio Rocha, avistou "duas bolas de fogo"
voando em círculos, a grande velocidade e baixa altitude, exatamente
sobre Duas Pontes, onde residia o garimpeiro. O sr. Antônio Rocha
confirmou, ao repórter do "Diário de Minas", esta comunicação.
Após exame clínico efetuado em Raimundo, o médico Dr. João
Antunes de Oliveira revelou nada ter descoberto de anormal, além do
estado de desnutrição. O menino pareceu-lhe em boas condições mentais.C.I.C.O.A.N.I.
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Caso "Duas Pontes" - fl.2
Por iniciativa do Juizado de Menores, Raimundo foi conduzido
a Belo Horizonte, pelo Comissário Antônio Cruz. Nesta Capital ele
repetiu a estória com os mesmos detalhes, inclusive para o CICOANI.
Antes de interná-lo no "João Pinheiro", Instituto para proteção e
instrução de menores desvalidos, o Juizado procidenciou exame psi-
quiátrico e testes psicológicos, cujos resultados em nada contribuiram
para solucionar a questão.
DEPOIMENTO DO MENOR RAIMUNDO ALELUIA MAFRA AO CICOANI,
EM 30/08/62 (resumo)
Diz Raimundo que, cerca das 20 horas de 19 de Agosto deste
ano, encontrava-se com seu pai Rivalino Mafra da Silva num cômodo de
sua residência, onde dormiam dois de seus quatro irmãos menores. Ele
e o pai achavam-se agachados em torno de um pequeno fogo que fizeram
no chão de terra batida do quarto, próximos a uma porta que liga o
mesmo à cozinha. Em certo momento seu pai chamou-lhe a atenção para
uma sombra escura e indefinível, que deslizava silenciosamente pela
cozinha, na direção de um outro cômodo. Essa silhueta foi descrita
como tendo quatro pernas, mas dela o menino nada pôde precisar, afir-
mando apenas que tinha alguma semelhança com homer a engatinhar.
À guisa de cabeça o menino descreveu na sombra um "topete", querendo
dizer alguma saliência, que teria se virado na direção do quarto, ao
passar pela porta, dando a Raimundo e seu pai a impressão de terem
sido observados.
Em seguida o sr. Rivalino levantou-se, indo até à porta
por onde a sombra se mostrara, ou um pouco além, nada conseguindo
divisar. O menino admite que o medo poderia ter impedido ao seu pai
uma revista no resto do casebre escuro, mas garante que as trancas
internas das duas únicas portas - uma da cozinha, outra da sala -
estavam fechadas.
Voltando para o quarto, o sr. Rivalino viu-se na impossi-
bilidade de dormir, assim como o seu filho. Em certa altura, ouviram
ambos vozes humanas, "grossas e enroladas", citando o nome do sr.
Rivalino e dizendo que iam matá-lo tão logo saísse de casa. Ouviram
também um ruído semelhante ao de um despertador, proveniente de fora
da casa. O garimpeiro e seu filho atravessaram a noite sem dormir.C.I.C.O.A.N.I.
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Caso "Duas Pontes" - fl.3
As 6 horas da manhã seguinte, 20 de agosto, segunda-feira,
Raimundo preparou-se para sair de casa e buscar a montaria de seu
pai, no terreiro anexo. Ao abrir a porta da cozinha, que dava para
o terreiro, deparou com DOIS PEQUENOS E ESTRANHOS OBJETOS POUSADOS
NO SOLO, a poucos metros de distância. Diferindo na cor, eram idên-
ticos quanto à forma e tamanho. AMBOS TINHAM FORMA OVALADA E MEDIAM
ENTRE 40 e 50 CENTÍMETROS NO DIÂMETRO MAIOR. A existência de um
pequeno apêndice numa das extremidades de cada objeto, conjugada à
forma dos mesmos, fez lembrar a Raimundo as figuras de tatús. Estes
APÊNDICES, DO TAMANHO DE UM DEDO, TINHAM FORMA TUBULAR, segundo a
descrição do menino. E, tal qual "rabichos", projetavam-se das partes
traseiras dos objetos, as quais estavam um pouco suspensas do solo.
No momento em que Raimundo os percebeu, esses apêndices apontavam
para a porta, ou seja, para a sua pessoa. Em seguida, quando o sr.
Rivalino chegou à porta, atendendo ao chamado de seu filho, os tubos
apontavam para a direção oposta, indicando que os objetos teriam
virado. UM DOS OBJETOS ERA INTEIRAMENTE NEGRO, FOSCO. O OUTRO ERA
ERA RAJADO DE BRANCO E PRETO, COM LISTAS IGUAIS EM LARGURA E TRAÇADAS
TRANSVERSALMENTE AO DIÂMETRO MAIOR DO OBJETO. Esta descrição foi
feita pacientemente, com o auxílio de um "retrato falado".
O sr. Rivalino, logo ao perceber os dois objetos, colocados
lado a lado, um metro um do outro, admirou-se soltando a frase:
"Que será isto?" Recomendou ao filho que não saísse pela porta e,
tendo ainda na mão a faquinha e o fumo com que preparava seu cigarro
de palha, o sr. Rivalino aproximou-se lentamente dos objetos, afirmando
seu filho que ele não parecia demonstrar medo. À APROXIMAÇÃO DE
RIVALINO, OS DOIS OBJETOS SE UNIRAM LATERALMENTE, COM UM SOM SURDO E
COMEÇARAM A GIRAR EM CONJUNTO, VELOZMENTE E LEVANTANDO LOGO UM REDE-
MOINHO DE "POEIRA AMARELA", A QUAL ENVOLVEU RIVALINO, SEM ATINGIR O
filho. Este declara que, além do surdo ruído durante o choque dos
objetos, o único ruído que ouviu foi o zumbido do vento que levantava
a espiral de poeira, tendo este impedido que Raimundo enxergasse
tanto os objetos quanto seu pai, que não reapareceu quando cessou o
redemoinho.C.I.C.O.A.N.I.
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Caso "Duas Pontes" - fl. 4
COMENTÁRIOS DO CICOANI
Após meses de investigação infrutifera, surgiu a notícia
de que o esqueleto de Rivalino fora encontrado. O jornal "A Estrela
Polar" (Diamantina, 10/03/63) afirma que, "no 3º dia de Carnaval
(1963), cinco caçadores encontraram, bem perto do casebre de Rivalino,
, em lugar de difícil acesso, a sua ossada. Caiu por terra o conto da
Carochinha. Falta agora esclarecer o resto" - diz o jornal (os grifos
são nossos).
Em verdade, diríamos nós, o "resto" que falta a esclarecer
é praticamente tudo. Se não, vejamos:
As explicações convencionais se reduziram a duas: O Rivalino
teria fugido ou teria sido vítima de sequestro e/ou assassinato. No
primeiro caso, a estória apresentada pelo filho seria um álibi insp-
rado pelo próprio Rivalino, para cobrir a sua fuga; no segundo, seria
um álibi engendrado pelos criminosos. Nos dois casos, portanto, ha-
ria participação do filho, para cobertura de um episódio que, estranha-
mente, contrariava o interesse e a segurança do mesmo: ele demonstrou
gostar do pai e acabou ficando sozinho com dois irmãos menores.
De qualquer forma, estranha-se que suas notórias timidez e
inexperiência não o levassem a vacilar em qualquer ponto dos repetidos
depoimentos que teve de prestar a policiais, juízes, sacerdotes, médi-
cos, jornalistas e, finalmente, a ufologistas do CICOANI e da SBEDV
(Dr. Walter Buhler). Mais estranho ainda é que, para encobrir um crime,
se apresentasse álibi de tal forma sofisticado e discrepante do contexto
sócio-cultural, a ponto de chamar a atenção não só da Polícia de Diaman-
tina, como do Estado inteiro. O efeito da estória seria, então, o oposto ao de um álibi.
Se a estória do menino é inteiramente fruto de delírio e
alucinação, como explicar que o exame psiquiátrico não tenha revelado
os sintomas correspondentes? Como explicar que o menino tenha projetado
no ambiente conteúdos intra-psíquicos de implicações tecnológicas tão
avançadas e relativos a um tipo de fenômeno do qual jamais ouvira falar?
Na literatura específica dos "discos voadores" há referências
a diminutos objetos telecomandados, de formas, dimensões e comportamentos
bem semelhantes aos descritos pelo menino. Pela raridade de suas fontes,
tais referências mantiveram-se praticamente restritas aos especialistas,
sendo, obviamente, inacessíveis a crianças analfabetas do meio rural.C.I.C.O.A.N.I.
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Caso "Duas Pontes" - fl. 5
Outro ponto a explicar é a presença de objetos aéreos não-
identificados nas proximidades do casebre de Rivalino, uma semana
antes do seu desaparecimento, assim como a extraordinária "varredura"
do terreiro onde ele ocorreu.
Quanto ao esqueleto encontrado (se encontrado), que tipo
de exame possibilitou relacioná-lo a Rivalino? Se a ossada foi des-
coberta perto de sua moradia, seis meses depois, como se explica que
seu cadáver não fosse encontrado, após dias de buscas minuciosas,
enquanto era devorado pelos urubus e outros animais necrófagos? O
cadáver não seria consumido por animais se estivesse enterrado mas,
então, o prazo de seis meses seria insuficiente para que restasse
apenas o esqueleto limpo. Caso este seja realmente do Rivalino,
resta a hipótese de que sua carne tenha sido consumida de forma
total e quase instantânea por meios não convencionais.
Parece, portanto, que do caso "Duas Pontes" tudo resta a
explicar.
10/09/68
[SIGNATURE]
Hulvio Brant Aleixo